fest2009
 

Santo Tirso, Guitarra 2009. XVI Edição.


Decorreu no sábado passado (30 de Maio) no Auditório Eurico de Melo, o último concerto do Festival de Guitarra; são 16 anos consecutivos.

A última “palavra” foi dos irmãos Assad, uma sala cheia; guitarristas, músicos e melómanos em festa. O Brasil, o prodígio da música de câmara, a voz cantante de um instrumento aparentemente bastante desconhecido para os críticos de música, perante um público fervoroso.

O Festival encerra com um saldo positivo quer na qualidade artística quer na participação do público. Foram várias as salas com lotação esgotada e mais uma vez foi a estreia de outros tantos prestigiados artistas em Portugal.

O Festival é um evento que se desenvolve longe dos espíritos mais ortodoxos e conservadores, e desde há vários anos (ou porque não dizer desde sempre?) se estende na abrangente área do multidisciplinar, com guitarras discursando nas diferentes expressões num convívio musical saudável, que une guitarras clássicas, eléctricas ou instrumentos tradicionais. Isto naturalmente trouxe um “crescendo” de audiências nas últimas edições, onde pudemos encontrar a participação de artistas tão diversos como Egberto Gismonti, Manuel Barrueco, Álvaro Pierri, Pedro Caldeira Cabral ou Anoushka Shankar, entre outros.

Confirmando-se cada vez mais popular nos conservatórios, e ainda mais presente nas expressões populares, a guitarra consolida um lugar importante na vida musical portuguesa.

Não se pode deixar de fazer notar a ausência dos críticos num evento que traz anualmente uma actividade artística e pedagógica fundamental para a nossa cultura musical e que definitivamente desenvolve um novo olhar deste instrumento em Portugal para os especialistas e não só.

O Festival este ano mostrou, a traves das actuações e das acções de formação orientadas pelos convidados, as potencialidades da guitarra e as potencialidades técnicas de um instrumento em constante evolução.

A cidade de Santo Tirso é já um centro natural de interesse para os guitarristas de Portugal e uma referência incontornável da especialidade no estrangeiro.

Uma excelente iniciativa que melhora cada ano.

 

Sérgio e Odair Assad. O duo impossível...




O concerto de encerramento teve lugar no Auditório Eurico de Melo, no sábado 30 de Maio. Numerosos fãs do duo colmaram a sala, numa noite de grande agitação. Catorze anos tinham-se passado desde a última actuação de Sérgio e Odair Assad em Santo Tirso.

O Concerto começou com Albéniz e Piazzolla que mostraram o duo em grande forma (como sempre!), com perfeito domínio musical e técnico. Interpretaram os magníficos arranjos de Sérgio Assad com um mágico trabalho camerístico, Córdoba como nunca antes tínhamos ouvido e dois andamentos da Suite Troiliana em que o duo transforma-se no quinteto de Piazzolla, desafiando aquilo que é possível fazer com duas guitarras.

Logo o concerto foi do Brasil: Villa-Lobos, Gnatalli, Jobim, Gismonti e Sérgio Assad.

Também ao inicio da segunda parte pudemos apreciar a estreia em Portugal da Segunda Sonata para Guitarra de Leo Brouwer, dedicada a Odair Assad, uma belíssima peça de uma construção complexa e difícil execução, brilhantemente interpretada por Odair.

No final houve uma ovação e dois encores (Farewell de Sérgio Assad e Sons de Carrilhões de João Pernanbuco).

O festival encerrou da melhor forma a sua XVI edição.

 

Adam Fulara. Os novos caminhos.




No sexto concerto desta XVI edição o guitarrista polaco Adam Fulara apresentou a sua música no Auditório António Padre Vieira novamente perante uma curiosa audiência maioritariamente juvenil.

Adam Fulara, durante o workshop explicou o seu percurso, influenciado inicialmente por música de Rock, decidiu desenvolver uma técnica diferente para expressar-se musicalmente. Assim começou um roteiro que o levou a explorar o Jazz e mais tarde a Música Clássica, com especial interesse na música de J. S. Bach.

Dono de uma técnica invejável de tapping com uma guitarra de braço duplo, apresentou temas originais, alguns standards de jazz, uma peça de Bach e uma delicada balada Polskie drogi de Andrzej Kurylewicz, todas as peças interpretadas com um elaborado trabalho contrapuntístico, plenos de hand tapping.

Fulara, numa procura corajosa, tem encontrado no contraponto e na aplicação do cantus firmus nos seus improvisos uma original forma de expressão.

No fim a audiência aplaudiu efusivamente e seguiram dois encores.

 

Álvaro Pierri. A transcendência da música!




O Centro Cultural de Vila das Aves acolheu o 5º concerto do Festival. O auditório repleto de guitarristas, professores e estudantes de todo o país, assistiu a uma brilhante estreia do guitarrista uruguaio em Portugal.

Um programa formidável que começou com um expressivo Francesco da Milano, que permitiu antever uma grande noite musical.

A seguir foi na Gran Sonata em Lá Maior de Paganini que se revelou como um mestre de mestres, o conhecimento profundo da linguagem, a sua musicalidade nos fez esquecer as dificuldades técnicas da obra. Não admira, por isso, que grande parte do público tenha reagido de forma tão intensa, com entusiastas aplausos.

Álvaro Pierri conduziu a sua apresentação com grande à vontade, permitindo-se expressar (em Português) com uma boa dose de humor, e finalizou a primeira parte com um modificação no programa, para render homenagem a Leo Brouwer com um Potpourri de obras de Brouwer, Garoto e Villa-Lobos. Aqui execução e audição chegou mesmo a unir irmãmente o músico e a plateia em torno da arte que nascia naquele preciso momento, inédita e irrepetível.

A segunda parte iniciou com Miguel Llobet e logo o programa foi preenchido com música contemporânea de dois compositores latino-americanos Egberto Gismonti do Brasil e Alberto Ginastera da Argentina. Desta última obra, a Sonata op. 47, referiu que foi impulsionado a tocá-la pela esposa do compositor, Natola Ginastera, com quem trabalhou para dar forma a sua singular e magnífica versão.

Logo seguiram dois encores.



Uma noite memorável.

 

Bob Zabek, o elo entre o picking e o tapping!




No quarto concerto desta XVI edição o guitarrista austríaco Bob Zabek apresentou a sua música no Auditório Eurico de Melo num clima informal, perante uma audiência maioritariamente juvenil.

Bob Zabek é o elo entre o tradicional picking e o tapping criando uma fusão de técnicas e linguagens musicais que vão do Blues ao Rock.

Apresentou quase na totalidade temas originais, sendo de destacar: Dead man etude e Journey of the butterfly e houve lugar para uma interessante cover de AC/DC: Thunderstruck.

É de salientar que este jovem de 27 anos, que já aparece nas listas da Guitar World como um dos mais velozes guitarristas de sempre (junto a nomes como Paco de Lucia, Ingwie Malmsteem ou Al di Meola) está a explorar o instrumento de uma maneira singular, desprovido de qualquer simples efectismo, procurando a descoberta de novos caminhos e naturalmente da sua própria identidade.

O concerto acabou com o funky e humorístico The crunken cat´s sublime flight. E logo a audiência reclamou mais dois encores.





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