Festival de Guitarra de Santo Tirso: O Barroco tem público em Santo Tirso

XIV Festival de Guitarra de Santo Tirso :: O Barroco tem público em Santo Tirso

Dois grandes concertos de música barroca decorreram durante o passado fim-de-semana.



Na sexta-feira 9, O Rilegato Ensemble trouxe de Alemanha uma original proposta, em que o estilo académico dos cordofones europeus se reencontrou com as tradições e instrumentos populares de América Hispana. O ensemble, constituído de duas guitarras, charango e percussão, apresentou um programa substancialmente preenchido com obras de Santiago de Múrcia e de Gaspar Sanz, onde a interpretação das formas antigas, junto com os elementos de improvisação do folclore e da música popular sul-americana deu como resultado uma estética totalmente nova e fascinante.

Destaque para Diego Jascalevich, um virtuoso do charango, que alia uma técnica impecável com uma deslumbrante criatividade.


No dia seguinte, a adega do Mosteiro de São Bento resultou pequena para a quantidade de público que quis ver o grupo Le je-ne-scay-quoy. O concerto revelou um ensemble sólido e coeso constituído de excelentes individualidades, com especial destaque para a versatilidade de Hugo Sanches e o virtuosismo de António Carrilho.


A interpretação mais convincente verificou-se na primeira parte, quase toda dedicada ao Barroco Italiano. Da segunda parte, constituída pelo repertório Francês, a Sonata para flauta de Philidor foi uma deliciosa surpresa.

 

XIV Festival de Guitarra de Santo Tirso :: A solidez e o encanto de Martin Taylor

XIV Festival de Guitarra de Santo Tirso :: A solidez e o encanto de Martin Taylor

No Sábado, 2 de Junho, Martin Taylor tocou e encantou. Um músico com uma estrutura e personalidade sublimadas, mas que mantém uma frescura e encanto contagiantes. "Herdeiro" de uma linguagem cuja génese nos remonta, às vezes, ao histórico Joe Pass (e, este ainda mais além... até mesmo a Charlie Christian), Martin Taylor há muito que pisa por caminhos escolhidos por si, dentro do jazz e das suas imensas potencialidades.

A opção de dedilho como técnica principal torna-se o pilar de toda a concepção e abordagem que este músico faz à disciplina do jazz, à improvisação e aos arranjos de standards e, mesmo, aos temas de sua autoria. Mas a técnica é só um meio, sólido e fora-de-série sem dúvida, para levar Martin Taylor ao seu objectivo principal que é, como mostrou pela atitude serena mas com toques de humor aqui e ali (sempre "polidos"...) ao prazer da música e tudo o que ela representa.

E já que se fala de técnica, Martin Taylor é um "master". Coordena de uma forma maior vozes, timbres, ritmos, harmonias e melodias, num jogo "ambidextro" complexo mas seguro que sugere muitas vezes os instrumentos "todos" das grupos de jazz (guitarra, contrabaixo, sopro, percussão...) a tocar ao mesmo tempo dentro da sua guitarra... "brincando" com esta destreza, o músico fez alusão, de uma forma humorística, às (in)capacidades dos homens de fazerem muitas coisas ao mesmo tempo... e tocou um tema das "caraibas" com todas os ingredientes dessa música quente, cheia de cor ritmos e vozes com a guitarra "preparada" com surdinas especiais...

Uma noite feliz e calorosa para um músico que é como o Vinho do Porto ("nectar" que, aliás, fez questão de dizer que iria beber depois do concerto).

Nota final muito alta para um público que, felizmente, já é "repetente" e maduro... demonstração de que os hábitos fazem a cultura de um povo.





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